terça-feira, 11 de junho de 2013
amor & coisas simples
somewhere i have never travelled, gladly beyond
any experience, your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near
your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully, mysteriously) her first rose
or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;
nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing
(i do not know what it is about you that closes
and opens; only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands
E.E. Cummings
any experience, your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near
your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully, mysteriously) her first rose
or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;
nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing
(i do not know what it is about you that closes
and opens; only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands
E.E. Cummings
sexta-feira, 7 de junho de 2013
amor & coisas simples
Celine: If we were meeting for the first time today on the train, would you start talking to me, would you ask me to get off the train with you?
Jesse: Of course.
Before Midnight
Jesse: Of course.
Before Midnight
quarta-feira, 5 de junho de 2013
amor & coisas simples
(a carta da paixão)
Esta mão que escreve a ardente melancolia
da idade
é a mesma que se move entre as nascenças da cabeça,
que à imagem do mundo aberta de têmpora
a têmpora
ateia a sumptuosidade do coração. A demência lavra
a sua queimadura desde os seus recessos negros
onde se formam
as estações até ao cimo,
nas sedas que se escoam com a largura
fluvial
da luz e a espuma, ou da noite e as nebulosas
e o silêncio todo branco.
Os dedos.
A montanha desloca-se sobre o coração que se alumia: a língua
alumia-se: O mel escurece dentro da veia
jugular talhando
a garganta. Nesta mão que escreve afunda-se
a lua, e de alto a baixo, em tuas grutas
obscuras, essa lua
tece as ramas de um sangue mais salgado
e profundo. E o marfim amadurece na terra
como uma constelação. O dia leva-o, a noite
traz para junto da cabeça: essa raiz de osso
vivo. A idade que escrevo
escreve-se
num braço fincado em ti, uma veia
dentro
da tua árvore. Ou um filão ardido de ponto a ponta
da figura cavada
no espelho. Ou ainda a fenda
na fronte por onde começa a estrela animal.
Queima-te a espaçosa
desarrumação das imagens. E trabalha em ti
o suspiro do sangue curvo, um alimento
violento cheio
da luz entrançada na terra. As mãos carregam a força
desde a raiz
dos braços a força
manobra os dedos ao escrever da idade, uma labareda
fechada, a límpida
ferida que me atravessa desde essa tua leveza
sombria como uma dança até
ao poder com que te toco. A mudança. Nenhuma
estação é lenta quando te acrescentas na desordem, nenhum
astro
é tao feroz agarrando toda a cama. Os poros
do teu vestido.
As palavras que escrevo correndo
entre a limalha. A tua boca como um buraco luminoso,
arterial.
E o grande lugar anatómico em que pulsas como um lençol lavrado.
A paixão é voraz, o silêncio
alimenta-se
fixamente de mel envenenado. E eu escrevo-te
toda
no cometa que te envolve as ancas como um beijo.
Os dias côncavos, os quartos alagados, as noites que crescem
nos quartos.
É de ouro a paisagem que nasce: eu torço-a
entre os braços. E há roupas vivas, o imóvel
relâmpago das frutas. O incêndio atrás das noites corta
pelo meio
o abraço da nossa morte. Os fulcros das caras
um pouco loucas
engolfadas, entre as mãos sumptuosas.
A doçura mata.
A luz salta às golfadas.
A terra é alta.
Tu és o nó de sangue que me sufoca.
Dormes na minha insónia como o aroma entre os tendões
da madeira fria. És uma faca cravada na minha
vida secreta. E como estrelas
duplas
consanguíneas, luzimos de um para o outro
nas trevas.
Herberto Hélder
Esta mão que escreve a ardente melancolia
da idade
é a mesma que se move entre as nascenças da cabeça,
que à imagem do mundo aberta de têmpora
a têmpora
ateia a sumptuosidade do coração. A demência lavra
a sua queimadura desde os seus recessos negros
onde se formam
as estações até ao cimo,
nas sedas que se escoam com a largura
fluvial
da luz e a espuma, ou da noite e as nebulosas
e o silêncio todo branco.
Os dedos.
A montanha desloca-se sobre o coração que se alumia: a língua
alumia-se: O mel escurece dentro da veia
jugular talhando
a garganta. Nesta mão que escreve afunda-se
a lua, e de alto a baixo, em tuas grutas
obscuras, essa lua
tece as ramas de um sangue mais salgado
e profundo. E o marfim amadurece na terra
como uma constelação. O dia leva-o, a noite
traz para junto da cabeça: essa raiz de osso
vivo. A idade que escrevo
escreve-se
num braço fincado em ti, uma veia
dentro
da tua árvore. Ou um filão ardido de ponto a ponta
da figura cavada
no espelho. Ou ainda a fenda
na fronte por onde começa a estrela animal.
Queima-te a espaçosa
desarrumação das imagens. E trabalha em ti
o suspiro do sangue curvo, um alimento
violento cheio
da luz entrançada na terra. As mãos carregam a força
desde a raiz
dos braços a força
manobra os dedos ao escrever da idade, uma labareda
fechada, a límpida
ferida que me atravessa desde essa tua leveza
sombria como uma dança até
ao poder com que te toco. A mudança. Nenhuma
estação é lenta quando te acrescentas na desordem, nenhum
astro
é tao feroz agarrando toda a cama. Os poros
do teu vestido.
As palavras que escrevo correndo
entre a limalha. A tua boca como um buraco luminoso,
arterial.
E o grande lugar anatómico em que pulsas como um lençol lavrado.
A paixão é voraz, o silêncio
alimenta-se
fixamente de mel envenenado. E eu escrevo-te
toda
no cometa que te envolve as ancas como um beijo.
Os dias côncavos, os quartos alagados, as noites que crescem
nos quartos.
É de ouro a paisagem que nasce: eu torço-a
entre os braços. E há roupas vivas, o imóvel
relâmpago das frutas. O incêndio atrás das noites corta
pelo meio
o abraço da nossa morte. Os fulcros das caras
um pouco loucas
engolfadas, entre as mãos sumptuosas.
A doçura mata.
A luz salta às golfadas.
A terra é alta.
Tu és o nó de sangue que me sufoca.
Dormes na minha insónia como o aroma entre os tendões
da madeira fria. És uma faca cravada na minha
vida secreta. E como estrelas
duplas
consanguíneas, luzimos de um para o outro
nas trevas.
Herberto Hélder
coisas simples
Kafka said, A book
must be an axe
for the frozen sea
inside us, which sounds
great, but what good
is an axe against
a frozen sea?
Perhaps this is why
he said, while dying,
Destroy everything.
Matt Rasmussen, from Elegy in X Parts
must be an axe
for the frozen sea
inside us, which sounds
great, but what good
is an axe against
a frozen sea?
Perhaps this is why
he said, while dying,
Destroy everything.
Matt Rasmussen, from Elegy in X Parts
terça-feira, 4 de junho de 2013
estratégias
Guia de conceitos básicos
Use o poema para elaborar uma estratégia
de sobrevivência no mapa da sua vida. Recorra
aos dispositivos da imagem, sabendo que
ela lhe dará um acesso rápido aos recursos
da sua alma. Evite os atolamentos
da tristeza, e acenda a luz que lhe irá trazer
uma futura manhã quando o seu tempo
se estiver a esgotar. Se precisar de
substituir os sentimentos cansados
da existência, reinstale o desejo
no painel do corpo, e imprima os sentidos
em cada nova palavra. Não precisa
de dominar todos os requisitos do sistema:
limite-se a avançar pelo visor da memória,
procurando a ajuda que lhe permita sair
do bloqueio. Escolha uma superfície
plana e deslize o seu olhar pelo
estuário da estrofe, para que ele empurre
a corrente das emoções até à foz. Verifique
então se todas as opções estão disponíveis: e
descubra a data e a hora em que o sonho
se converte em realidade, para que poema
e vida coincidam.
Nuno Júdice, Guia de Conceitos Básicos
Use o poema para elaborar uma estratégia
de sobrevivência no mapa da sua vida. Recorra
aos dispositivos da imagem, sabendo que
ela lhe dará um acesso rápido aos recursos
da sua alma. Evite os atolamentos
da tristeza, e acenda a luz que lhe irá trazer
uma futura manhã quando o seu tempo
se estiver a esgotar. Se precisar de
substituir os sentimentos cansados
da existência, reinstale o desejo
no painel do corpo, e imprima os sentidos
em cada nova palavra. Não precisa
de dominar todos os requisitos do sistema:
limite-se a avançar pelo visor da memória,
procurando a ajuda que lhe permita sair
do bloqueio. Escolha uma superfície
plana e deslize o seu olhar pelo
estuário da estrofe, para que ele empurre
a corrente das emoções até à foz. Verifique
então se todas as opções estão disponíveis: e
descubra a data e a hora em que o sonho
se converte em realidade, para que poema
e vida coincidam.
Nuno Júdice, Guia de Conceitos Básicos
segunda-feira, 3 de junho de 2013
a propósito de uma certa saudade de "casa"
Morada
Habitamos
uma casa quando
a sombra dos nossos gestos
fica mesmo depois
de fecharmos a porta.
Margarida Ferra, Curso Intensivo de Jardinagem, 2010
Habitamos
uma casa quando
a sombra dos nossos gestos
fica mesmo depois
de fecharmos a porta.
Margarida Ferra, Curso Intensivo de Jardinagem, 2010
amor & coisas (que não são assim tão) simples
If I got on my knees and I pleaded with you
Not to go but to stay in my arms
Would you walk out the door
Like you did once before
This time be different
Please stay don't go
If I call out your name like a prayer
Would you leave me alone with my tears
Knowing I need you so
Would you still turn and go
This time be different please stay
Don't go please stay
I loved you before I even knew your name
I wanted to give you my heart
But when you came back after me one time
Oh I knew, yes I knew that the heartaches would start
If I called out your name like a song
That was written for you, you alone
Would you still hurt all my pride
Oh, hey, how I cried
This time be different
Please stay
Oh, this time be different in some way
Don't go please stay
You know I'll always love you Darling . . .
Please Stay
Cryin Shames - Please Stay
o título é quase tão bom como tudo o resto
What are you afraid of?
You are so beautiful, so cute, so lucky to be alive.
Eighteen is too young to be so sad.
You don’t care about anyone as much as they will care about you.
Cheer up, my friend.
Relax.
Take a breath.
You are so many things.
Would you care if I died?
If I never came home?
I could have left, too.
I’m scared.
You look more like your mother every day.
I want you to fuck me. I want you to cum for me.
Please.
I’d really like to kiss you right now.
But this is all just misplaced energy.
I can’t smoke a cigarette with you.
Tell me if you stop loving me.
You are not allowed to love.
Stop thinking so much.
Relax.
Stop.
Stop caring so much about things that don’t matter.
Words are not a career.
Write the truth, but don’t write your truth.
How can one person be so destructive and so beautiful.
How come you don’t believe in Home?
I want everything inside of you.
I want you to give me your world.
Sleep.
No one will love you the way he loves you.
No one wants to watch you burn.
You selfish bitch.
The world will never remember you.
No matter how much you scream.
No matter how much you curse.
Fuck you.
If getting over me is too hard you can always fuck the pain away.
You are the biggest liar that I have ever met.
Thank you for telling me the truth.
I bought your book just to burn it.
I know you were hurt.
Why don’t you cry?
It’s going to be okay.
This is all just misplaced
energy.
Shinji Moon, Things People have Said Without Thinking I’d Remember
You are so beautiful, so cute, so lucky to be alive.
Eighteen is too young to be so sad.
You don’t care about anyone as much as they will care about you.
Cheer up, my friend.
Relax.
Take a breath.
You are so many things.
Would you care if I died?
If I never came home?
I could have left, too.
I’m scared.
You look more like your mother every day.
I want you to fuck me. I want you to cum for me.
Please.
I’d really like to kiss you right now.
But this is all just misplaced energy.
I can’t smoke a cigarette with you.
Tell me if you stop loving me.
You are not allowed to love.
Stop thinking so much.
Relax.
Stop.
Stop caring so much about things that don’t matter.
Words are not a career.
Write the truth, but don’t write your truth.
How can one person be so destructive and so beautiful.
How come you don’t believe in Home?
I want everything inside of you.
I want you to give me your world.
Sleep.
No one will love you the way he loves you.
No one wants to watch you burn.
You selfish bitch.
The world will never remember you.
No matter how much you scream.
No matter how much you curse.
Fuck you.
If getting over me is too hard you can always fuck the pain away.
You are the biggest liar that I have ever met.
Thank you for telling me the truth.
I bought your book just to burn it.
I know you were hurt.
Why don’t you cry?
It’s going to be okay.
This is all just misplaced
energy.
Shinji Moon, Things People have Said Without Thinking I’d Remember
coisas simples
«All women have a built-in grain of indestructibility. And men's task has always been to make them realize it as late as possible.»
Sans Soleil by Chris Marker, 1983
Sans Soleil by Chris Marker, 1983
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